domingo, 23 de agosto de 2009

Séries adotivas

Outro dia conheci uma pessoa que acompanha E.R. desde a sua primeira temporada. Ela acompanha a série há 15 temporadas e disse que conhece os personagens há mais tempo do que o próprio marido, o que provavelmente é verdade se considerarmos que o seriado estreou em 1994 na TV americana.

O objetivo de um bom seriado de TV, mais do que nos filmes, eu diria, é fazer com que nos identifiquemos com os personagens. Eventualmente, ao longo das temporadas, nos afeiçoamos ao agente do FBI que acredita numa conspiração do governo para esconder a existência de alienígenas, ao amigo galanteador que nunca deixa passar uma oportunidade de cantar alguém e que vive roubando comida da geladeira dos amigos e até ao carteiro arqui-inimigo de um comediante standup.

São anos de convivência, nos envolvendo em suas existências com um nível de detalhes que não nos é reservado nem mesmo pelos nossos melhores amigos na vida real. Isso se tivermos a sorte de manter esse amigo por perto ao longo de tantos anos, o que é cada vez mais difícil nesse mundo onde as coisas acontecem e 'desacontecem' com a mesma rapidez.

O que é que fazemos quando perdemos alguém? Quando termina um relacionamento amoroso, quando um amigo se muda pra outro país? Normalmente há um período de luto e, depois de um tempo, você parte pra outra.

Confesso que fiquei arrasado quando Friends, Arquivo X e Seinfeld, principalmente, chegaram ao fim. Então decidi dar um tempo. Tive um envolvimento rápido com Heroes, Monk, CSI, Big Bang Theory e outras aqui e ali que eu prefiro nem mencionar. Nada sério, eu juro. Exceto Lost e House.

Eventualmente assisti How I Met Your Mother e conheci Ted Mosby e seus amigos. Aos poucos, deixei de sentir tanta falta de Friends. As referências aos amigos não são poucas, como o emprego misterioso do Barney (vai me dizer que vocês esqueceram a running joke sobre o trabalho do Chandler?), mas nem de longe são o que define o programa. Acabei viciado nesse seriado que consegue ser (muito) engraçado, misturar a isso um pouco de romance e drama e ainda tratar alguns temas de forma mais adulta do que aquele dos seis amigos inseparáveis.

Depois, o J. J. Abrams, que já tinha me balançado com Alias e me fisgado com Lost, acertou mais uma vez com Fringe, ocupando o espaço vazio deixado pelo Agente do FBI Fox Mulder e sua parceira, Dana Scully. Olivia Dunham, a protagonista de Fringe, está a frente de uma equipe incomum que investiga estranhos fenômenos conectados ao que parecem ser ataques terroristas. A série não só consegue parecer (um pouco) mais verossímil, como tem personagens muito interessantes e tramas intrigantes. Tem tudo pra cair no gosto dos abandonados fãs de um seriado que marcou época, mas terminou já sem o brilho das primeiras temporadas.

Por último, nem tudo na vida são flores e por isso, vou ser sincero. Lamento dizer que jamais encontrei algo à altura de Seinfeld. Acho que tem certas coisas que não tem como substituir, não é? O que nos resta é a esperança de que um dia surja um sitcom que consiga retratar a nossa sociedade de forma tão irreverente e original e nos divertir falando sobre o nada. Enquanto isso, vou aproveitando esses programas que, como séries adotivas, não julgo melhor nem pior do que aquelas que substituíram em meu coração. Eu as amo do mesmo jeito, garanto.

2 comentários:

Fern. disse...

Eu confesso a falta que sinto de Friends e que alguns capítulos já até decorei, de tanto ver!
Devo a essa série até parte do meu aprendizado em inglês: minha diversão era assistir sem a legenda.

Larissa disse...

Eu fico nas séries mulherzinha. Era viciada em Sex and the city e agora não largo Desperate Housewives. Mesmo perdendo metade das piadas por assistir sem legenda (eu já disse, sou uma ignoranta digital, não sei baixar a legenda), continuo dependente.