quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Um sonho bom
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Crítica:: Falta humanidade em Inimigos Públicos

Gosto muito dos filmes de Michael Mann, seja pela estética visual, herdada dos film noir, seja por sua capacidade de dirigir cenas de ação. Mann é o melhor diretor de cenas de tiroteio que já vi e por isso, esperava bastante de um filme de gangsters dirigido por ele. A presença de Johnny Depp, Christian Bale e a ganhadora do Oscar Marion Cotillard também ajudaram a elevar as expectativas em relação ao longa que conta a história real do mais famoso assaltante de bancos da América, John Dillinger. A ação está lá, mas a trama é confusa, demora a engrenar e não conseguiu me conquistar.
A estética de Mann se faz presente no filme. A fotografia de Dante Spinotti é excelente. Visualmente, o filme é interessante pela escolha de enquadramentos menos convencionais e pelo uso da câmera na mão. Esse recurso ajuda a nos inserir na ação, mas o diretor abusa dele e acaba criando uma linguagem moderna demais, que entra em conflito com o contexto histórico do longametragem. Certamente não vai agradar a audiência mais conservadora.
As cenas de ação, entre fugas, perseguições e tiroteios, estão entre os pontos altos do filme e reafirmam essa especialidade de Mann. Não somente ele encena e coordena a ação de modo eficiente, como tem o know how, essencial, diria, de como posicionar as câmeras para tirar o melhor daquela cena. A primeira seqüência do filme e o grande tiroteio entre John Dillinger, Baby Face Nelson e seus comparsas e Melvin Purvis mais os agentes do FBI são exemplos dessa especialidade de Michael Mann enquanto diretor.
Mas, se Inimigos Públicos tem ação e estética convincentes, o que falta mesmo é um roteiro melhor. O próprio Michael Mann, Ann Biderman e Ronan Bennett adaptaram o livro de Bryan Burrough em um roteiro em que falta ritmo e personagens consistentes. Parece que estamos diante de uma seqüência de fatos históricos reconstituídos diante da câmera inquieta do diretor. Fatos esses que por vezes mal parecem estar conectados, a não ser por Dillinger. Não há uma ação dramática que norteie a trama. A grande quantidade de personagens é difícil de acompanhar e mesmo os protagonistas, jamais ganham a importância e profundidade que merecem. Tanto é que em momento algum nos identificamos com eles ou nos importamos com seu destino, já traçado, evidentemente.
Ainda assim, Johnny Depp, Christian Bale e Marion Cotillard fazem o melhor que podem, com Bale se destacando no papel de Melvin Purvis, o homem encarregado de capturar Dillinger, e Depp repetindo com propriedade a irreverência que o marcou em outros papéis de sucesso. O problema é que talvez pelo fato de seus personagens terem sido reais, o espaço para a construção deles tenha sido um tanto limitado. Não deixa de ser irônico a preocupação com a veracidade tê-los deixado falsos na tela grande.
Inimigos Públicos acerta na parte técnica, mas peca pela falta do componente humano, o que faz com que você assista a mais de duas horas de filme sem se comover ou se importar com mais nada, a não ser com aquele belo enquadramento ou a adrenalina e realidade das cenas de tiroteio, executadas com maestria por um diretor competente com 100 milhões de dólares de orçamento e uma equipe extremamente competente.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
A invasão dos vampiros que bebem água com açúcar
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Lost In Translation
Peguei emprestado o título do excelente filme de 2003 da diretora e roteirista Sofia Coppola para contar um pouco do processo de adaptar Retrato de Família para uma língua estrangeira.
A adaptação desse roteiro de drama no qual já venho trabalhando há um tempo faz parte de um plano para tentar encontrar algum espaço no mercado internacional que, apesar de muito mais concorrido, tem também muito mais oportunidades.
O primeiro passo para iniciar esse trabalho foi olhar para a história como um todo e identificar nela o que precisaria ser modificado numa transposição para uma realidade estrangeira. Americana, no caso. Facilitou muito o fato desse drama ser basicamente uma história universal sobre a culpa e a perda. Uma história essencialmente humana que poderia se passar em qualquer lugar do mundo.
Depois, comecei a escrever, do zero, em inglês. O que parecia ser o mais difícil, os diálogos, acabaram vindo naturalmente. É claro que os personagens são pessoas comuns e isso ajuda bastante. Nada de intelectuais de vocabulário rebuscado ou o palavreado técnico típico de uma carreira científica, por exemplo. Se estima que o vocabulário que a maioria das pessoas utilizam para se comunicar verbalmente representa uma pequena fração das palavras existentes em uma dada língua. Talvez isso e o fato de já ter assistido tantos filmes e seriados expliquem essa grata surpresa.
Mas, como o título do post sugere, nem tudo são flores nesse processo. Assim como ocorre com os personagens de Bill Murray e Scarlett Johansson em Lost In Translation, a sensação de vazio e de solidão por vezes toma conta. Acho que é inevitável quando se está escrevendo em uma língua estrangeira, ainda que você esteja cercado de dicionários e ferramentas para apoiá-lo nessa tarefa. O que parecia ser fácil, as descrições de cena, acabaram se revelando um tremendo desafio. Isso porque, apesar de a prosa audiovisual ser enxuta e estritamente visual, de vez em quando a palavra mais interessante falta, a melhor construção escapa. Não é que não haja palavras no meu vocabulário, ou referências e regras para a construção gramatical adequada. É que, versátil como poucas, a língua inglesa permite ao interlocutor uma miríade de opções na hora de formar orações e sentenças. E é preciso fluência, experiência e sensibilidade na hora de escolher a forma mais elegante e instigante de descrever algo tão simples quanto alguém que se levanta de sua mesa e atravessa um ambiente.
Aos poucos, eu chego lá.








