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domingo, 29 de agosto de 2010

'The Pacific' vai além do (excelente) visual

Séries e filmes de guerra tentam sempre retratar o que acontece aos soldados no campo de batalha com o máximo de realismo. Vencedor do prêmio Emmy de Melhor Minissérie, The Pacific faz isso com uma maestria técnica impressionante. Da direção de arte à cinematografia, passando por efeitos especiais e a direção, a série tem um visual simplesmente irretocável.

O mais interessante é que a série de TV mais cara da história, com um orçamento de US$ 200 milhões, produzida para a HBO por Steven Spielberg e Tom Hanks, tem também um roteiro excelente, onde a narrativa vai além das cenas de ação e da representação realista do combate.

O roteiro de The Pacific é baseado em dois livros de veteranos de guerra e entrelaça as histórias reais de três fuzileiros navais americanos, contando o que acontece aos homens e aos seus espíritos, algo difícil de imaginar para quem nunca esteve numa situação como aquela. Tédio, ansiedade, ódio, culpa, a transformação de homens de fé em incrédulos e a busca por um sentido para todo tipo de atrocidade estão nos dez capítulos e tornam as histórias de John Basilone, Eugene Sledge e Robert Leckie ainda mais tocantes e significativas.

A minissérie pode chocar os mais fracos e emocionar o espectador, mas com certeza o fará refletir sobre os horrores da guerra e sobre quão efêmera é a existência humana. Imperdível, do primeiro ao último capítulo.

Um último conselho: assista à abertura de The Pacific. É espetacular. Confesso que assisti aos créditos iniciais em todos os dez capítulos.

sábado, 10 de abril de 2010

Criando conteúdo pra internet

Desde o mês passado, venho trabalhando em um projeto como redator web freelancer. A ideia era lançar alguns blogs e começar a criar conteúdo para uma agência digital. Os dois primeiros blogs que entraram no ar foram o Tomada8 e o #NOPS.

O Tomada8 me deu a possibilidade de escrever sobre duas das minhas maiores paixões: o cinema e as séries de TV. Com posts diversos sobre as produções e
lançamentos do audiovisual no Brasil e no mundo, o site é uma boa pedida pra quem deseja se manter atualizado e saber o que assistir no final de semana na telona ou no horário nobre das noites de segunda à sexta.

Escrever pro #NOPS é simplesmente um exercício de criatividade e tem sido um enorme prazer. Com uma proposta similar ao do site americano The Onion, a ideia do blog é criar notícias fake, seja para criticar, tornar realidade aquilo que gostaríamos que fosse verdade ou simplesmente pra nos divertir lendo as matérias e compartilhando com os amigos mais desavisados.

Além das páginas, você pode encontrar e compartilhar o conteúdo dos dois blogs no Twitter e no Facebook.

Para acessar os sites, basta clicar nos thumbnails que ilustram o post.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A invasão dos vampiros que bebem água com açúcar

Os vampiros são figuras míticas do folclore mundial que nos fascinam há séculos, desde as primeiras lendas, transmitidas oralmente. A literatura e o cinema foram tomados, ao longo dos anos, por um sem número de histórias envolvendo estes personagens que se alimentam da força vital de outros, o que normalmente é representado pelo seu hábito de beber o sangue de suas vítimas. Mais do que isso, essas criaturas estão relacionadas no imaginário popular ao mistério, ao terror, ao sexo, à sedução e, principalmente ao desejo humano de resistir ao tempo e à morte, que são provavelmente os únicos limites que jamais conquistaremos.

No cinema, eles já foram explorados em centenas de filmes dos mais variados gêneros, que vão desde o clássico do expressionismo alemão Nosferatu (1922), de Murnau, à adaptações de obras literárias de sucesso, como Entrevista com o Vampiro (1994), do livro de Anne Rice, e Drácula (1992), adaptado a partir do romance de Bram Stoker sobre o mais famoso vampiro de todos os tempos. Se quiser, você pode conferir uma lista com os 70 melhores filmes de vampiros de todos os tempos, na opinião do autor, aqui.

Na televisão, tanto no Brasil quanto no exterior, os vampiros fizeram sucesso como protagonistas e antagonistas de novelas e seriados, com destaque para Buffy, a Caça Vampiros, que teve sete temporadas a partir de 1997 e ainda gerou spin-offs.

Mas os executivos responsáveis por produzir conteúdo para televisão e cinema operam na lógica capitalista moderna, que tem como um de seus pilares proteger seus investimentos através da busca do máximo de lucro com o mínimo de risco. Os públicos de TV e cinema diminuem. Assim, todos querem atingir os adolescentes, que são quem mais consomem produtos audiovisuais. Para Hollywood, em particular, isso significa atingir a 'mágica' classificação PG-13 no mercado norteamericano.

É evidente que histórias de vampiros vendem. O mistério, o sobrenatural vendem, são lucrativos. Mas a violência, o sexo e as questões morais complexas que acompanham estes personagens impedem os executivos de lucrar mais se arriscando menos. A solução é óbvia: adaptar obras que fizeram sucesso e que, de um jeito ou de outro, abandonaram as questões controversas que incomodam uma sociedade cada vez mais conservadora. Se deixa de lado o sangue, o terror, a sexualidade, as implicações morais do ato de se alimentar da vida de alguém até que não reste mais nada além de um romance adolescente devidamente reprimido que, com a dose certa de publicidade e o casting adequado, vai arrebatar adolescentes ao redor do mundo, garantindo os lucros exorbitantes dos investidores de filmes como esses da saga Crepúsculo. E, pela lógica do capitalismo e do consumo, quando um produto faz sucesso, o mercado é inundado por similares que geralmente conseguem ser piores do que o original, como essa série que a Warner exibe agora, Diários de Vampiro.

Como nem tudo está perdido, ainda há quem encontre espaço para produzir livros, filmes e séries com a verdadeira essência dos vampiros, ou ainda com uma visão original que consiga preservar os dilemas que permeiam o universo de homens e mulheres imortais que pagam um alto preço por esse dom. True Blood, seriado da HBO americana, encontrou nos livros de Charlaine Harris material rico e não se absteve de levar para as telas questões morais, sociais e políticas de forma tão adulta e crua, que é recomendado para maiores de 18 anos. Mesmo assim, faz enorme sucesso. Daybreakers (2010) aposta no gênero sci fi e parece propor a inversão de alguns paradigmas pra trazer algo de novo para as histórias de vampiros sem abandonar seus conceitos básicos, ainda que seja um blockbuster. Estreia ano que vem. Vamos esperar. Por fim, o aclamado sueco Deixe Ela Entrar (2008), de Tomas Alfredson, baseado no livro e com roteiro de John Ajvide Lindqvist, é um dos mais belos filmes que vi nos últimos tempos. Em cartaz nos cinemas, é simplesmente imperdível. Nem seria justo falar desse filme sem dedicar um post inteiro a ele.

Por isso, nesse final de semana, mesmo que não seja possível compará-los, se quiserem ver um filme sobre vampiros, vão conferir o sueco e, por favor, evitem os filmes de vampiros que se alimentam de água com açúcar, que me assustam muito mais do que os de verdade.

sábado, 10 de outubro de 2009

Torcendo pelo pior

Outro dia estava assistindo Stock Car Brasil na televisão e curiosamente me peguei torcendo por uma batida, um acidente, uma rodada. Torcendo, enfim, pelo pior. Não que isso seja exclusividade minha. Os americanos assistem à NASCAR, a stock car americana, torcendo por um evento catastrófico e vibrando com ele, contanto que ninguém se machuque seriamente. Não é que sejamos pessoas ruins. É uma reação apenas humana.

Em "Três Usos da Faca", excelente livro do cineasta americano David Mamet sobre as estruturas dramáticas e como nós, seres humanos, nos relacionamos com elas, Mamet diz que procuramos sempre trazer o drama para nossas vidas. Quando nos relacionamos com o mundo, automaticamente procuramos enquadrá-lo em uma estrutura e nos identificamos com os protagonistas e com suas ações por intermédio de suas características humanas. E não há nada mais humano do que o erro.

Por isso o esporte é dramático por natureza, mesmo que a maioria de seus eventos se organizem em mais ou menos atos do que os três da estrutura aristotélica clássica.

Talvez esteja aí explicado o sucesso de público das categorias de stock car, onde os carros são mais equilibrados, mais numerosos, os pilotos podem se tocar e estão muito mais propensos a errar, especialmente se compararmos às corridas de monoposto, como a F-1.

Torcemos pelo acidente, pelo erro e pela batida não pelo possível efeito plástico que será capturado por inúmeras câmeras de alta definição e que veremos diversas vezes em câmera lenta. Torcemos pelo pior para nos aproximar dos protagonistas, nos identificarmos com eles num nível mais essencial, nos colocarmos em seus lugares e para, como sempre, tentar colocar um pouco mais de drama em nossas vidas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Precisamos de cinema pipoca

Estive na última semana envolvido com o Festival do Rio. Quase não assisti a nenhum filme, mas procurei participar ativamente do RioMarket, o evento paralelo que discute negócios e o mercado do audiovisual nacional e internacional. Acho de fundamental importância discutirmos o cinema brasileiro para que possamos construir um futuro melhor para ele e, por tabela, para nós, profissionais da área.

Os três primeiros dias do evento foram abertos a quem se inscrevesse com antecedência pela internet e, para minha surpresa, estavam relativamente vazios.

O primeiro dia teve como tema o financiamento do audiovisual, com destaque para a apresentação do presidente da ANCINE, Manoel Rangel. Ele descreveu com muito eloquência o panorama do mercado brasileiro atual e, principalmente, demonstrou ter visão de pra onde ir a seguir. Foi muito interessante também a apresentação do Rio Audiovisual, um ambicioso programa de revitalização e incentivo a audiovisual carioca, parceria da Secretaria de Cultura do Estado e de uma renovada RioFilme, sob o comando do competente Sérgio Sá Leitão.

O segundo dia trouxe representantes de duas das maiores produtoras nacionais, a Conspiração Filmes e a Total Entertainment, além de Paula Lavigne, uma produtora independente de peso no cenário nacional. Eles se revezaram para falar dos filmes de sucesso no Brasil nos últimos anos. O sábado ainda contou com uma mesa intermediada por Rodrigo Fonseca, em que Mariza Leão, produtora e roteirista, e René Belmonte, roteirista, falaram sobre escrever filmes de sucesso no Brasil.

O terceiro dia foi mais voltado para a televisão, com representantes da Globo e da Record discutindo como escrever o que o espectador quer ver e como produzir sucessos de audiência. Destaque para a presença de Roberto Farias, híbrido de cineasta e homem de TV, segundo palavras do próprio.

O que ficou desses primeiros dias de discussão é que, se quisermos ter uma indústria cinematográfica auto-sustentável e saudável, capaz de produzir em quantidade e qualidade e de absorver a mão de obra disponível no mercado, temos que investir em filmes que tragam retorno financeiro. É reinvestindo esses recursos no mercado que iremos transformar a realidade atual. Precisamos de filmes de sucesso. Precisamos de blockbusters.

PS.: A fotografia que ilustra o post é da galeria do Festival do Rio no Flickr. Lindas fotos. Confiram.

domingo, 23 de agosto de 2009

Séries adotivas

Outro dia conheci uma pessoa que acompanha E.R. desde a sua primeira temporada. Ela acompanha a série há 15 temporadas e disse que conhece os personagens há mais tempo do que o próprio marido, o que provavelmente é verdade se considerarmos que o seriado estreou em 1994 na TV americana.

O objetivo de um bom seriado de TV, mais do que nos filmes, eu diria, é fazer com que nos identifiquemos com os personagens. Eventualmente, ao longo das temporadas, nos afeiçoamos ao agente do FBI que acredita numa conspiração do governo para esconder a existência de alienígenas, ao amigo galanteador que nunca deixa passar uma oportunidade de cantar alguém e que vive roubando comida da geladeira dos amigos e até ao carteiro arqui-inimigo de um comediante standup.

São anos de convivência, nos envolvendo em suas existências com um nível de detalhes que não nos é reservado nem mesmo pelos nossos melhores amigos na vida real. Isso se tivermos a sorte de manter esse amigo por perto ao longo de tantos anos, o que é cada vez mais difícil nesse mundo onde as coisas acontecem e 'desacontecem' com a mesma rapidez.

O que é que fazemos quando perdemos alguém? Quando termina um relacionamento amoroso, quando um amigo se muda pra outro país? Normalmente há um período de luto e, depois de um tempo, você parte pra outra.

Confesso que fiquei arrasado quando Friends, Arquivo X e Seinfeld, principalmente, chegaram ao fim. Então decidi dar um tempo. Tive um envolvimento rápido com Heroes, Monk, CSI, Big Bang Theory e outras aqui e ali que eu prefiro nem mencionar. Nada sério, eu juro. Exceto Lost e House.

Eventualmente assisti How I Met Your Mother e conheci Ted Mosby e seus amigos. Aos poucos, deixei de sentir tanta falta de Friends. As referências aos amigos não são poucas, como o emprego misterioso do Barney (vai me dizer que vocês esqueceram a running joke sobre o trabalho do Chandler?), mas nem de longe são o que define o programa. Acabei viciado nesse seriado que consegue ser (muito) engraçado, misturar a isso um pouco de romance e drama e ainda tratar alguns temas de forma mais adulta do que aquele dos seis amigos inseparáveis.

Depois, o J. J. Abrams, que já tinha me balançado com Alias e me fisgado com Lost, acertou mais uma vez com Fringe, ocupando o espaço vazio deixado pelo Agente do FBI Fox Mulder e sua parceira, Dana Scully. Olivia Dunham, a protagonista de Fringe, está a frente de uma equipe incomum que investiga estranhos fenômenos conectados ao que parecem ser ataques terroristas. A série não só consegue parecer (um pouco) mais verossímil, como tem personagens muito interessantes e tramas intrigantes. Tem tudo pra cair no gosto dos abandonados fãs de um seriado que marcou época, mas terminou já sem o brilho das primeiras temporadas.

Por último, nem tudo na vida são flores e por isso, vou ser sincero. Lamento dizer que jamais encontrei algo à altura de Seinfeld. Acho que tem certas coisas que não tem como substituir, não é? O que nos resta é a esperança de que um dia surja um sitcom que consiga retratar a nossa sociedade de forma tão irreverente e original e nos divertir falando sobre o nada. Enquanto isso, vou aproveitando esses programas que, como séries adotivas, não julgo melhor nem pior do que aquelas que substituíram em meu coração. Eu as amo do mesmo jeito, garanto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Muito além de televisão

Na última semana, Globo e Record levaram a disputa saudável que vêm travando pela audiência da televisão brasileira a um outro nível.

Depois que o Jornal Nacional deu destaque às acusações do Ministério Público paulista contra o Bispo Edir Macedo e a cúpula da Igreja Universal e citou a Rede Record na reportagem, essa disputa ficou franca e aberta como nunca antes. A Record reagiu através de seus telejornais, fazendo críticas diretas e acusações um tanto conspiratórias à Rede Globo.

A sua última cartada foi comprar o polêmico documentário Muito Além do Cidadão Kane. Produzido em 1993 para o Channel 4 britânico, ele acabou se tornando um filme 'cult' e foi bastante divulgado e assistido numa época em que filmes circulavam através de cópias em VHS, e não pela internet.

Segundo reportagem da Folha Ilustrada, a Record comprou os direitos do filme, através do produtor John Ellis, por meros US$ 20 mil. Apesar de não poder exibir todo o documentário por questões que envolvem direitos autorais de imagens da Globo contidas no filme, a emissora do Bispo Macedo pode exibir os trechos autorais do mesmo.

Apesar de ser contra misturar religião e comunicação, não tenho nada contra a Rede Record e acho admirável que ela venha fazendo esforços pra concorrer com a programação da Globo de igual pra igual, produzindo seriados e novelas em uma escala em que só a concorrente fazia até pouco tempo atrás.

Como em todo país democrático com liberdade de expressão e livre mercado, quando duas empresas dessa magnitude iniciam uma disputa como essa, geralmente o consumidor, nesse caso o espectador, pode tirar algo de positivo do processo, se for capaz de pensar de maneira crítica.

Sendo assim, já que a Record não pode exibir o documentário sobre Roberto Marinho na íntegra, eu o faço. Não para tomar partido, apenas para exercer o meu direito de poder fazê-lo.


sábado, 11 de abril de 2009

Abaixo o amor, viva as boas surpresas

Calma, não perdi as esperanças de encontrar o amor não. É que eu assisti mais uma vez Abaixo o amor ontem. Eu já tinha assistido esse filme de 2003 uma vez em DVD há algum tempo atrás e, para minha surpresa, tinha gostado muito. Um filme que tinha tudo pra ser bem água com açúcar, me surpreendeu.

O roteiro não tem grandes surpresas, mas é redondinho, bem construído, tem bons diálogos e momentos espirituosos. O filme conta a história de Barbara Novak (Renée Zellweger), uma escritora feminista que se envolve com o jornalista playboy pegador (literalmente, no nome) Catcher Block (Ewan McGregor). Preciso dizer que os dois acabam se apaixonando apesar de serem completamente diferentes? Pois é. O casal de protagonistas tem boa química e suas atuações são cheias de humor. O elenco ainda conta com David Hyde Pierce (o eterno Dr. Niles Crane de Frasier), que interpreta o atrapalhado chefe e amigo de Catcher. Na categoria olha, esse cara tá nesse filme!, ainda temos Timothy Omundson, o policial ranzinza de Psych, fazendo uma pequena ponta entre os homens da editora que publica o livro de Barbara.

A história se desenrola na década de 60 e o filme não apenas representa aquela época, mas também se utiliza dos meios de fazer cinema daquela época para compor algo bastante original em termos de estética. As cenas de carro, por exemplo, foram feitas com o uso de projeção em backdrop, exatamente como se fazia na época. As transições entre uma cena e outra, o uso do split screen nas conversas telefônicas também são característicos dos anos 60. Esse recurso, aliás, é usado com criatividade e rende uma das melhores sequências do filme na minha opinião, quando Barbara e Catcher interagem através da tela dividida numa cena que sugere o ato sexual e que termina com os dois desligando o telefone, deitados no chão, e acendendo um cigarro cada um. A direção de arte é um dos maiores acertos do filme, especialmente nos cenários fantásticos que parecem realmente ter saído do túnel do tempo e dos figurinos, que não só compõem os personagens, mas são utilizados como elementos de cenas e rendem até momentos engraçados.

Enfim, Abaixo o amor é sim água com açúcar e pode até ser açucarado, mas definitivamente não é aguado. Apesar de se utilizar de clichês, o faz com inteligência e bom humor. É um filme ágil e divertido, ótimo pra ver de coração partido (e dar uma levantada no astral) ou à dois (e rir juntos dos pobres mortais que ainda correm atrás desse negócio complicado que é o amor), de preferência com um balde de pipoca.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Cinquenta filmes pra ver antes de morrer

Se você é assinante da Sky ou da TVA e tem o canal TCM Classic Hollywood, vai poder morrer tranqüilo depois do dia 26 de dezembro.

O canal vai exibir ao longo do mês, os 50 filmes pra ver antes de morrer. A lista foi compilada a partir da lista do American Film Institute e traz tanto clássicos do cinema como Cidadão Kane (1941), que encabeça a lista da AFI, quanto filmes que se tornaram fenômenos pop como E.T. (1982) e Rocky (1976).

No entanto, eu diria pra você segurar um pouco antes de bater as botas, já que a lista conta só com filmes americanos e, portanto, deixa de fora movimentos artísticos de valor inestimável como o Neo-realismo italiano, o Expressionismo alemão, a Nouvelle Vague francesa, o Cinema Novo brasileiro... Além de filmes excelentes da cinematografia internacional, como obras da Rússia, Espanha, Japão, Irã, Índia, Argentina e de muitos outros países.

Por último, na minha opinião o cinema, e a arte em geral, é extremamente pessoal. Já vi filmes maravilhosos que nunca entrariam em uma lista como essa e filmes que são considerados clássicos do cinema mundial que eu simplesmente detestei. É uma questão de gosto.

De qualquer forma é sempre bom ver bons filmes (e a maioria dos filmes que estão nessa lista são ótimos), portanto você pode conferir a lista completa com os horários em que os filmes vão passar nessa notícia do G1. Já no site do American Film Institute, você pode se registrar e baixar em PDF a lista com os 100 melhores filmes (americanos) de todos os tempos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Roteiristas entram em greve... Eu não

Mesmo após alguns dias sem posts aqui no Mnemoteca, não há motivos para alarme. Informo que eu não aderi à greve dos roteiristas de Hollywood. Até porque (ainda) não sou um roteirista de sucesso.

O fato é que, após mais uma rodada de negociações do WGA (Writer's Guild of America), o sindicato dos roteiristas, e a AMPTP (Alliance of Motion Picture and Television Producers), não se chegou a um acordo e por isso, a partir de hoje, os profissionais responsáveis por roteiros para TV e cinema nos EUA cruzaram os braços e participam de passeatas em frente aos grandes estúdios, incluindo a Walt Disney Co., a rede ABC, a Warner Bros., a Paramount Pictures, a CBS e a Fox.

O principal ponto de divergência entre as duas partes seria a questão dos direitos autorais de filmes e programas de televisão vendidos em DVDs ou por meio da internet. Mesmo desistindo das porcentagens de direitos autorais mais altas sobre a venda de DVDs, a WGA, que representa cerca de 12 mil profissionais em solo americano, afirmou que os estúdios não quiseram discutir a questão dos filmes e programas vendidos e veiculados na web.

A paralisação irá prejudicar a produção de muitas séries de TV e fazer com que programas gravados ao vivo recorram de maneira imediata às reprises, além de custar milhões de dólares em lucros e salários perdidos

A última greve da categoria aconteceu em 1988 e durou 22 semanas. Segundo estimativas, uma greve como a de 88 poderia resultar, hoje, em perdas de cerca de US$ 1 bilhão.

PS.: Eu acabei de ler que a estréia da 4a. temporada de Lost pode ser adiada por conta da greve. Nããããoooooo!!!

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A primeira dose é de graça

Num esquema parecido com aquele usado pelos traficantes de drogas pra viciar os usuários onde a primeira dose é de graça, o Disney Channel vai abrir seu sinal para todos os assinantes de TV paga assistirem à estréia de High School Musical 2 (2007) no próximo domingo dia 7 às 20h.

Parece bem apropriado porque, honestamente, esse filme deve ser uma droga mesmo.

E é claro que depois eles vão ganhar rios de dinheiro em vendas de DVD e milhares de outros produtos licenciados que vão de álbum de figurinhas à biscoitos de chocolate estampados com a cara desses atores e atrizes sem talento.

PS.: Sim. Essa é uma cena do filme. E sim, eles estão todos cantando dentro da piscina em volta de um piano rosa. Eu odeio musicais. Musicais teen então nem se fala.

Porque as séries demoram tanto pra chegar ao Brasil

Eu sou viciado em séries. Adoro. Quando eu prestei vestibular e passei só pro segundo semestre da UFRJ passei esses seis meses (e mais uns dois da greve... básico) assistindo Sony, Warner e Fox o dia inteiro. Hoje eu sou mais light. Só acompanho de perto Lost e Heroes e vejo de vez em quando House, 24 Horas e as eternas, mas sempre engraçadas reprises de Friends e Seinfeld.

Eu vejo séries desde que as pessoas tinham o maior preconceito e chamavam elas de enlatados. Elas só passavam na Sessão Aventura e nos sábados e domingos pela manhã na Globo. Pra quem só viu Malhação depois da Sessão da Tarde eu relembro que a Sessão Aventura ocupava esse horário na década de 80 e início de 90 e passava séries clássicas como Mac Gyver (Profissão Perigo), Esquadrão Classe A, Dama de Ouro e uma que ninguém lembra, mas que eu adorava: a Força de Emergência. Era tipo uma SWAT dos anos 80. Eu lembro da abertura onde o narrador dizia assim:

“Quando o cidadão está com problemas, ele chama a polícia. Mas quando a polícia está com problemas, eles chamam a... FORÇA DE EMERGÊNCIA!!!”.

Muito bom, né? Alguém lembra disso?

OK. Chega de nostalgia. Como eu ia dizendo, o meu irmão compartilha esse meu vício e uma dessas noites batendo papo, a gente chegou a uma conclusão: existe uma conspiração (eu tinha dito que gosto de conspirações) pra que as séries só cheguem ao Brasil com pelo menos uns seis meses de atraso. É sério... pensem bem... porque é que as séries não são exibidas aqui ao mesmo tempo que lá nos EUA?

Eu até entendo que as séries demorem a chegar na TV aberta. Eles querem que você tenha um TV por assinatura. Isso é óbvio. Mas não passar na TV fechada não faz o menor sentido. Onde é que eles querem que você assista?

E nem adianta culpar a legenda. Se cinco ou seis nerds conseguem fazer uma legenda sincronizada com perfeição e traduzida melhor do que a Mônica Pessegueiro do Amaral, que traduz a legenda de TODOS os filmes que eu vejo no cinema (mas isso é assunto pra outro post), porque a Fox ou a Sony teriam dificuldades?

A nossa conclusão estarrecedora é a seguinte: Eles fazem isso pra vender mais assinaturas de Internet banda larga! É óbvio que se você não consegue assistir aqui, tem que baixar de algum site pirata ou um torrent. E pra isso você precisa de uma Internet banda larga. Até porque se for discada, você vai ver Lost ou 24 Horas mais rápido se esperar chegar na Globo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Porque eu gostei de Paraíso Tropical

Sim. Eu confesso. Mesmo correndo o risco de perder todos os meus amigos e o respeito dos meus colegas de trabalho, eu confesso: gostei de Paraíso Tropical e assisti até o último capítulo.

A novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares pode ter tido vários defeitos. Não há dúvida que eles existem. Mas criticar é fácil.

Prefiro me ater aos seus muitos êxitos. Ao priorizar várias pequenas tramas e subtramas de duração mais curta ao invés de uma ou duas tramas sem fim que permeiam os seis meses de exibição, o último folhetim das 8 da TV Globo conseguiu um ritmo mais ágil e prendeu a atenção do espectador, já que o desenrolar das histórias era bem mais rápido.

A direção esteve bem ao longo da novela com uma ou outra cena repreensível e o elenco, especialmente no núcleo dos vilões, foi acima da média.

Na reta final, é claro que tem que se dar um desconto para as concessões que os autores têm de fazer em nome do clamor popular. Ainda assim, o resultado é bastante satisfatório. As cenas de ação do último capítulo tem uma qualidade de direção, edição, fotografia e trilha musical que eu jamais tinha visto em uma novela da Globo. Fico feliz de estarmos evoluindo nesses aspectos.

O ponto alto do capítulo final foi realmente a revelação do assassino da vilã Taís. Numa cena bem construída, os autores tiveram a coragem de escapar do artifício (estúpido) do assassino de quem ninguém suspeitava e mantiveram a coerência fazendo com que o assassino fosse Olavo (Wagner Moura), o vilão da novela. A surpresa ficou por conta do motivo do assassinato. O bacana é ver que aquela velha máxima do "não é o que você conta, mas a maneira como você conta" prevaleceu e rendeu uma boa história em que todas as pontas soltas foram devidamente resolvidas e equacionadas pelos roteiristas.

Parabéns a todos os envolvidos na produção e espero que as futuras novelas e seriados possam contar com um roteiro inteligente e de qualidade, que é a base para um programa interessante.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Talentos individuais não salvam Toma Lá Dá Cá

Essa semana tive a oportunidade de assistir ao novo programa humorístico da Globo que estreou na terça passada. Toma Lá Dá Cá conta com atores de talento incluindo Diogo Vilela, Marisa Orth, Adriana Esteves, Arlete Salles e Miguel Falabella, que ao lado de Carmem Barbosa é um dos criadores do sitcom. O restante do elenco se completa com os jovens Fernanda Souza, Daniel Torres e George Sauma e com Alessandra Maestrini.

Os personagens são extremamente estereotipados: Marisa Orth mais uma vez vive uma personagem completamente superficial. Rita é uma Magda menos burra. Falabella por sua vez encarna um Caco Antibes menos escandaloso no papel de Mário Jorge. Arlete Salles criou uma avó bêbada e farrista. O restante dos personagens são rasos e a empregada não consegue fugir da fórmula da doméstica cômica: insolente e desbocada. A personagem de Adriana Esteves é a mais contida e talvez por isso a menos chata.

Com um roteiro muito fraco, as poucas risadas da platéia (eu mesmo só dei uma meia risada e nem me lembro do que foi) saíram de atuações individuais. Não é o suficiente. Falabella esteve nos EUA assistindo a gravações de sitcoms americanas diante da platéia para implantar esse esquema em Toma Lá Dá Cá. Ele deveria ter aproveitado para verificar que os sitcoms que fizeram sucesso por lá se baseiam no roteiro e em personagens interessantes. E assim, mesmo atores de menor nível técnico, como Jennifer Aniston, de Friends, dão conta do recado quando o roteiro é bom. De outro modo, nem mesmo os melhores atores farão um programa engraçado e que seja gostoso de assistir.