Mostrando postagens com marcador Artigo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Sobre a manipulação de imagens

Na era da fotografia digital, a manipulação de imagens se tornou um assunto polêmico, principalmente com a difusão e facilidade com que se manipula uma fotografia através de softwares de edição como o Photoshop, que se tornou tão famoso que virou até um adjetivo.

Hoje se discute os limites éticos da manipulação tanto na fotografia com propósitos estéticos (moda, publicidade, retratos, etc.) como na fotografia jornalística (editorial).

As fotografias da ex-BB Iris, por exemplo, acabaram virando polêmica por conta da afirmação da Playboy de que não havia usado Photoshop para retocá-las, quando claramente isso foi feito (basta ver com atenção o rosto dela na foto ao lado).

E o que dizer de fotografias publicitárias que usam e abusam de programas de edição e programas de gráficos 3D, como o 3D-Max, só para citar um exemplo, deixando o consumidor perdido entre o real e o fantasioso quando se trata de um produto?

Mais recentemente, tivemos ainda o episódio da capa da revista Época com o presidente da Venezuela Hugo Chávez, que teria tido sua imagem manipulada para se tornar mais assustador e se adequar ao tom da manchete do periódico, que era: "O Brasil deve ter medo dele?".

Se engana quem pensa que a manipulação de imagens surgiu com os softwares ou com a fotografia digital. Ela surgiu muito antes do que as câmeras digitais e os computadores. Tanto é que os nomes de algumas das ferramentas do Photoshop, como sponge ou burn são oriundos dos utensílios ou processos que eram utilizados nos laboratórios para a obtenção desses efeitos.

A manipulação de imagens, seja qual for o seu propósito, se iniciou praticamente junto com a fotografia. O daguerreótipo, que foi o precursor das câmeras fotográficas, foi criado em 1839 por Louis Daguerre e a primeira manipulação de imagem famosa de que se tem notícia data de 1860, quando a cabeça de Abraham Lincoln foi colada sobre o corpo de um outro político para produzir esse famoso retrato do presidente americano. Esse site apresenta uma lista com várias manipulações, muitas de cunho político, ao longo do século XX.

Geralmente, são considerados aceitáveis pela indústria editorial, ajustes que poderiam ser definidos como tratamento de imagem, como alteração de contraste, balanço de cor, foco e outros itens que não alterem o conteúdo ou a disposição dos elementos da imagem. Apesar de não haver regras estabelecidas para o que pode ou não ser feito, muitos jornais e revistas mais sérios possuem cartilhas para orientar os fotógrafos e editores de imagens em relação ao que é ou não aceitável.

Assim, a expectativa é que as próximas gerações de fotógrafos sejam mais conscientes e façam um uso correto dos recursos que estão disponíveis hoje para um número muito maior de usuários.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Crise de criatividade ou política de mercado?

Escrevendo para o blog recentemente e lendo alguns artigos, me dei conta do número extraordinário de filmes que são adaptações, remakes ou simplesmente seqüência. A quantidade de filmes com roteiros originais tem diminuído nos últimos anos em Hollywood.

Adaptações sempre estiveram presentes na história do cinema e fizeram chegar às telas clássicos da literatura que renderam grandes filmes de sucesso. No ranking dos 100 melhores filmes do American Film Institute, 49 foram adaptados ou inspirados a partir de romances, contos e livros de não-ficção. Seja em termos de crítica ou público esses filmes obtiveram grandes êxitos. Vale lembrar de Uma Mente Brilhante (2001), que faturou o Oscar de Melhor filme e a adaptação de um dos livros mais lidos do planeta: Senhor dos Anéis, cuja trilogia rendeu uma bilheteria de quase US$ 3 bilhões de dólares se combinarmos o faturamento mundial dos filmes e 17 Oscars incluindo o de Melhor Filme para o episódio final da saga lançado em 2003.

Mas o que vemos hoje na verdade é uma enxurrada de adaptações que se apropriam de elementos já inseridos e instaurados na cultura de massa como forma de promover o filme antes mesmo do seu lançamento. Adaptações de histórias como heróis de quadrinhos, desenhos animados, seriados de TV e até mesmo jogos de videogame e PC. Podemos citar aqui a trilogia do Homem Aranha, Sin City (2005), os recém-lançados Transformers (2007) e Simpsons – O Filme (2007), a promessa de um novo filme do He-Man, de uma adaptação de Sex and The City, e os recentes Resident Evil (2002) e seqüência e Doom (2005).

Somando-se a isso, temos um número elevado de remakes e seqüência. O remake é uma nova versão de um filme previamente realizado e lançado. O mais notável na história recente provavelmente é Os Infiltrados (2006), de Martin Scorcese, versão de um filme obscuro de Hong Kong que ganhou o Oscar de Melhor Filme no ano passado e Guerra dos Mundos (2005), de Steven Spielberg. Qualquer filme dos últimos anos que tenha feito sucesso imediatamente ganha uma (ou duas) seqüência. Velozes e Furiosos (2001) e suas continuações são um bom exemplo de seqüência fora de propósito que sequer tratam dos mesmos personagens. Transformers (2007) mal foi lançado e já terá uma continuação em 2009.

Diante do número pequeno de filmes citados em relação às possibilidades de preencher muito mais linhas com filmes não-originais de todos os tipos, pode parecer que a afirmação de que Hollywood está vivenciando uma crise de criatividade é verdadeira. Nada poderia ser mais incorreto, porém. Segundo estimativas, o número de roteiros originais registrados anualmente nos EUA pode passar de 80.000. Então porque é que não se produzem mais filmes originais? A resposta é simples. O cinema americano é uma poderosa indústria. Um negócio. E a regra para investir capital em qualquer aplicação é procurar sempre o menor risco aliado às maiores taxas de retorno.

Fica óbvio que investir em uma fórmula de sucesso já testada e comprovada é muito mais seguro e lucrativo para os acionistas dos estúdios de Hollywood. Colocar dezenas de milhões de dólares em um roteiro original pode ser arriscado demais. Utilizar um produto que já está inserido na cultura popular é uma forma de proteger esse investimento ao garantir, aliado a estratégias de lançamento que consomem cada vez mais recursos em publicidade, um grande público para o filme. O público maior também chama a atenção de empresas interessadas em promover seus produtos através do filme. A última aventura de James Bond, Casino Royale (2006), por exemplo, traz a Sony, distribuidora do filme, aparecendo em DVDs, celulares, câmeras, monitores e notebooks. Virtualmente todos os carros que aparecem no filme pertencem ao grupo Ford (incluindo o incrível Aston Martin do 007) e a vodka Smirnoff foi inserida no Martini, o drink imortalizado pelo personagem.

Por último, gostaria de destacar, como contraponto, que ainda há excelentes roteiros originais sendo produzidos e levados às telas todos os anos por produtoras de grande porte e por seus selos “independentes”, como o ótimo Pequena Miss Sunshine (2006), o excelente Mais Estranho que a Ficção (2006) e tantos outros que nos deixam ainda alguma esperança no cinema americano e em sua renovação.

Pra saber mais +

Clique nos links do texto para acessar o IMDB.