domingo, 12 de abril de 2009

Visualização

Essa é a chave para a fotografia e para diferenciar o fotógrafo criativo, o artista, do amador.

O vídeo abaixo (em inglês) mostra um pequeno trecho de uma rara entrevista concedida pelo grande fotógrafo Ansel Adams.

Um dos maiores fotógrafos do século XX, Adams começou sua carreira em 1927 e trabalhou até a década de 70, se caracterizou pela maestria com que tratava seus negativos e ampliava suas cópias. Com origens no estilo pictorialista, que procurava imitar o Impressionismo e alçar a fotografia ao patamar das outras artes, Ansel Adams logo encontrou um estilo próprio, abandonando o pictorialismo para dar valor a um maior realismo, que conseguia através de foco e exposição precisas, do contraste elevado e do absoluto controle tonal sobre a imagem. Suas imagens se destacavam, acima de tudo, pela clareza.

A imagem que ilustra o post tem o título The Tetons and the Snake River e é de 1942.

Voltando ao vídeo, de valor histórico indiscutível, Adams acredita que o amador olha para o mundo e clica sem critério. Imagine o desespero dele hoje, com câmeras digitais acessíveis e memória ficando cada vez mais barata. Já o fotógrafo, o profissional criativo, o artista, olha para o mundo e busca algo especial. Pra ele, a fotografia começa na mente do fotógrafo, no que ele chama de o olho da mente. O criativo então usa seus conhecimentos e suas ferramentas para transferir para o papel o equivalente daquela imagem etérea e intangível que ele considera valiosa e relevante. Aparentemente é um conceito simples, agora que você leu. Mas é de uma clareza impressionante. Provavelmente a mesma clareza que ele imprimia às suas imagens.



sábado, 11 de abril de 2009

Abaixo o amor, viva as boas surpresas

Calma, não perdi as esperanças de encontrar o amor não. É que eu assisti mais uma vez Abaixo o amor ontem. Eu já tinha assistido esse filme de 2003 uma vez em DVD há algum tempo atrás e, para minha surpresa, tinha gostado muito. Um filme que tinha tudo pra ser bem água com açúcar, me surpreendeu.

O roteiro não tem grandes surpresas, mas é redondinho, bem construído, tem bons diálogos e momentos espirituosos. O filme conta a história de Barbara Novak (Renée Zellweger), uma escritora feminista que se envolve com o jornalista playboy pegador (literalmente, no nome) Catcher Block (Ewan McGregor). Preciso dizer que os dois acabam se apaixonando apesar de serem completamente diferentes? Pois é. O casal de protagonistas tem boa química e suas atuações são cheias de humor. O elenco ainda conta com David Hyde Pierce (o eterno Dr. Niles Crane de Frasier), que interpreta o atrapalhado chefe e amigo de Catcher. Na categoria olha, esse cara tá nesse filme!, ainda temos Timothy Omundson, o policial ranzinza de Psych, fazendo uma pequena ponta entre os homens da editora que publica o livro de Barbara.

A história se desenrola na década de 60 e o filme não apenas representa aquela época, mas também se utiliza dos meios de fazer cinema daquela época para compor algo bastante original em termos de estética. As cenas de carro, por exemplo, foram feitas com o uso de projeção em backdrop, exatamente como se fazia na época. As transições entre uma cena e outra, o uso do split screen nas conversas telefônicas também são característicos dos anos 60. Esse recurso, aliás, é usado com criatividade e rende uma das melhores sequências do filme na minha opinião, quando Barbara e Catcher interagem através da tela dividida numa cena que sugere o ato sexual e que termina com os dois desligando o telefone, deitados no chão, e acendendo um cigarro cada um. A direção de arte é um dos maiores acertos do filme, especialmente nos cenários fantásticos que parecem realmente ter saído do túnel do tempo e dos figurinos, que não só compõem os personagens, mas são utilizados como elementos de cenas e rendem até momentos engraçados.

Enfim, Abaixo o amor é sim água com açúcar e pode até ser açucarado, mas definitivamente não é aguado. Apesar de se utilizar de clichês, o faz com inteligência e bom humor. É um filme ágil e divertido, ótimo pra ver de coração partido (e dar uma levantada no astral) ou à dois (e rir juntos dos pobres mortais que ainda correm atrás desse negócio complicado que é o amor), de preferência com um balde de pipoca.

domingo, 5 de abril de 2009

Crítica:: No lugar certo, na hora certa

O que faz um filme independente, rodado na Índia com um orçamento de US$ 15 milhões ganhar 8 Oscar, incluindo o de Melhor Filme?

A: O filme é muito bom.
B: Seus adversários eram fracos.
C: O filme é muito original.
D: Estava escrito.

O filme de Danny Bolyle conta a história de Jamal Malik, um jovem indiano que cresceu nas favelas e nas ruas e que, ao chegar à última pergunta da versão indiana de Quem quer ser um milionário? (título do filme em português), é acusado de trapacear e preso. Durante o interrogatório, ele começa a revelar a história de sua infância pobre compartilhada com seu irmão Salim e o amor de sua vida, Latika, e como essas experiências e a incessante busca dele para encontrá-la e viver o seu destino forneceram as respostas que precisava para chegar até ali.

O roteiro adaptado (ganhador do Oscar) de Simon Beaufoi, baseado no romance bastante original de Vikas Swarup é interessante e instigante. Mostra uma Índia pobre, dura, violenta e mesmo cruel sem, no entanto, endurecer e afastar o espectador como acontece com muitos filmes que trilham esse caminho. Ao contrário, nos importamos com o destino dos personagens até o final. As idas e vindas no tempo que servem pra explicar o porquê de Jamal saber as respostas despertam a nossa curiosidade e renderam ao filme um Oscar de Melhor Edição, mas começam a cansar, deixando o filme um pouco previsível depois de algum tempo.

Para compor esse quadro da periferia indiana, a fotografia (ganhadora de Oscar) é bastante crua, se utiliza da iluminação ambiente (aparente ou verdadeira) e propõe enquadramentos pouco usuais que funcionam muito bem e agradam a quem gosta de ver algo que fuja do mainstream. É inegável o paralelo entre a estética visual de Cidade de Deus e Quem quer ser um milionário?, mas não acho que isso seja um ponto importante de discussão.

A música (Oscar) e o som (outro Oscar) são excelentes, ajudam a criar o clima e envolver o espectador naquele universo tão particular, e tão distante para a maioria dos que assistiram o filme fora da Índia. A música dos créditos finais (sim, mais um Oscar) é realmente excelente e o design dos mesmos não deixa por menos. Já a dança ao melhor estilo Bollywood, eu dispenso, questão de gosto mesmo.

As atuações do elenco são ótimas e trazem consigo uma carga, imprimem um grau de realismo, que só os não-atores conseguem colocar na tela. Não porque não existam bons atores. É que as situações descritas em muitas das cenas do filme simplesmente estão além de qualquer coisa que possa ser imaginada ou incorporada por um ator.

A direção de Danny Boyle (Trainspotting, A Praia) acerta na maior parte do filme. Mas também erra. Essa seria a minha principal crítica em relação ao longa. Premiado com os Oscar de Melhor Direção e Melhor Filme, Quem quer ser um milionário? é muito bom, mas peca pela falta de constância. Há momentos maravilhosos, onde se vê um esmero do diretor e há momentos que definitivamente não pertencem a um filme que ganhou esses dois prêmios. Por vezes, há construções que alternam uma poesia visual fantástica com elementos tão ordinários que chegam a saltar aos olhos. O filme é muito bom, mas não é espetacular.

Em suma, o longa se confunde com o próprio Jamal Malik, o próprio favelado milionário (no título original, Slumdog Millionaire), que acredita no amor, no destino, supera todos os obstáculos e vence. Por quê? As três primeiras respostas à pergunta do início do post não estão incorretas. Mas, como no filme, eu vou ficar mesmo com a letra D.

And that's my final answer
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Outras opiniões +

Quem quer ser um milionário (Ana Al Izdihar - Amálgama)

Quem quer ser um milionário (Celso Sabadin - Yahoo! Cinema)

Bonequinhos divididos para Quem quer ser um milionário? (André Miranda & Marcelo Janot - Blog do Bonequinho)


Quem quer ser um milionário (Rodrigo Carreiro - Cinereporter)


quinta-feira, 2 de abril de 2009

Uma curta história de amor



Esse trabalho incrível, A Short Love Story do Carlos Lascano, é uma animação curtinha que combina as técnicas de animação em stop motion, a tradicional animação 2D e efeitos do Adobe Photoshop e After Effects. A parte técnica é bem detalhada no site do Lascano, perfeito pra quem gosta de conhecer os pormenores e ver o making of desse curta. A mescla de técnicas tem um resultado final fantástico, uma textura que eu nunca havia visto.

O roteiro é simples, mas bem bacaninha e a música (Hoppípolla, do Sigur Rós) é excelente e ajuda a compor o clima. Pra quem é mais sensível, vale até umas lágrimas.

Assistam. É curtinho, mas é bem legal. Recomendo, pra quem tem uma conexão mais rápida com a internet, ou um pouco mais de paciência, assistir em HD, no Vimeo.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Cidade Transparente

Esse a tradução do título do livro de Michael Wolf, The Transparent City. As fotos de uma temática urbana e moderna, são incríveis. Segundo críticos, as imagens remetem a Blade Runner, pela questão da metrópole moderna. No caso, o centro de Chicago. A minha primeira associação quando vi a galeria no site Lens Culture, foi o Janela Indiscreta, de Hitchcock, um dos meus filmes favoritos, pela questão do voyeurismo, sempre presente na fotografia e exacerbada pelos centros urbanos, onde é mais fácil permanecer anônimo enquanto se observa os outros.

Particularmente, adoro a cidade como tema para a fotografia. Tem algo de atraente nas linhas retas e ângulos não-naturais que me atraem muito visualmente. Acho o cenário urbano absolutamente fascinante pela dicotomia entre o planejado e o caótico. É algo difícil de encontrar em outros lugares, outras circunstâncias.

Esse post veio através do Olha, Vê, excelente blog sobre fotografia do Alexandre Belém.

quarta-feira, 25 de março de 2009

É Tudo Verdade. Sério.

Começa hoje, 25/03, em São Paulo e amanhã, 26/03, no Rio de Janeiro, o festival É Tudo Verdade. Na 14a. edição, o festival internacional de documentários é o principal evento dedicado exclusivamente à cultura do documentário na América do Sul, com exibição anual de cerca de uma centena de não-ficcionais brasileiras e internacionais.

Entre os destaques, está Garapa, o novo projeto do diretor José Padilha (Ônibus 174, Tropa de Elite), que conta a história de três famílias no Ceará e sua luta para superarem a a falta de comida e a miséria. O longa, rodado em 35mm, de 110 min, vai ser exibido no Unibanco Arteplex no sábado, 28/03, às 20:00 e na quarta, 01/04, às 16:00.

Outro grande destaque é O Equilibrista, vencedor do Oscar 2009 de Melhor Documentário. Dirigido pelo britânico James Marsh, o filme conta a história do equilibrista francês Philippe Petit (foto que ilustra o post), que desafiou as autoridades americanas ao se equilibrar numa corda bamba entre as Torres Gêmeas do WTC, em 1974. Você pode conferir o filme de 94 min em uma única apresentação no Cinemark Downtown, na quinta 02/04, às 19:30.

Vale a pena esses e outros filmes desse importante gênero do cinema, que recuperou força nos últimos anos com obras que fizeram sucesso, como A Marcha dos Pinguins, Uma Verdade Inconveniente, Super Size Me e Tiros em Columbine, entre outros.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Novos cartões

Semana que vem estreio novos cartões de visita. Essa é a frente. O verso terá o mesmo design e trará os meus contatos, como se fosse a continuação do filme, o próximo frame desse rolo de créditos.

Eu tinha feito mil deles há um tempo atrás, com outro desenho, mas os meus números mudaram e, francamente, o meu gosto também.

Para o primeiro problema, a portabilidade numérica trouxe a solução. Não mudo nunca mais de número de celular. O meio ambiente agradece. A minha operadora de celular, sinceramente, acho que não, num fututo próximo. Para o segundo, vai ser mais difícil encontrar solução, mas devo dizer que fiquei bastante feliz com o resultado do design dos cartões novos, que eu mesmo fiz.

sábado, 21 de março de 2009

Cinema:: Mão na massa e olho na câmera

Com o fim das filmagens de Lula, o filho do Brasil, provavelmente vamos começar a pré-produzir o roteiro escrito por mim e pela Lulu Telles para o Fábio Barreto, o Bodas de Seda.

É uma produção simples, com apenas uma locação, e com um orçamento modesto. Por isso mesmo, a expectativa é iniciar as filmagens ainda em Abril. Acredito que o mais difícil vai ser conciliar as agendas de um elenco principal tão numeroso.

Mas vamos lá, o negócio é meter a mão na massa e correr atrás.

terça-feira, 10 de março de 2009

Roteiro:: Boa sorte, Zeca.

Esse foi o primeiro nome do pseudônimo sob o qual inscrevi o Retrato de Família, roteiro no qual venho trabalhando desde o final do ano passado, no edital para desenvolvimento de roteiros de longametragem do Ministério da Cultura.

O edital pede na verdade o envio de um projeto e, em caso de aprovação, disponibiliza uma verba de R$ 50.000 para que o roteirista desenvolva o seu roteiro num prazo de sete meses. O mais interessante é que apesar do patrocínio, o roteirista mantém os direitos integrais sobre sua obra, sendo apenas obrigado a mencionar o incentivo do governo federal nos créditos do filme, caso esse venha a ser realizado.

Após alguns meses trabalhando no roteiro, finalmente consegui concluir uma escaleta que me agrada, o que foi um tremendo quebracabeças. Em breve vou começar a escrever o primeiro tratamento do roteiro. É curioso olhar os primeiros arquivos de trabalho e anotações sobre esse projeto e notar como ele se transformou desde então. Personagens surgiram, outros foram excluídos ou ganharam importância que não tinham. Fico feliz de estar desenvolvendo um processo mais orgânico de trabalho, menos linear, menos engessado naqueles moldes que vemos na teoria e que, quando usados com parcimônia, são essenciais para nos nortear e estruturar. Norte e estrutura são fundamentais num roteiro, assim como a disciplina e o trabalho duro, mas não servem de nada sem criatividade, inspiração e uma dose de liberdade.

Em breve escrevo outro post com uma breve sinopse da história.

domingo, 8 de março de 2009

Crítica:: Who watches the Watchmen?

I do!

Como apreciador de quadrinhos e ex-adolescente nerd, eu havia lido a graphic novel há uns bons doze anos, e por isso, fui conferir a estreia da aguardada, disputada e conturbada adaptação da obra do fantástico Alan Moore para os cinemas.

Polêmicas a parte, o filme é muito bom. Com o relativo sucesso de 300 e uma boa dose de personalidade, Zack Snyder conseguiu convencer os executivos que ser fiel à graphic novel seria o melhor caminho a seguir. E foi. O roteiro é na verdade uma mera adaptação e condensação da brilhante obra de Moore, que decepcionado com Hollywood, abriu mão de todos os direitos e ganhos financeiros em favor de David Gibbons, o desenhista. A trama é interessante, mas o grande mérito de Watchmen é a profundidade de seus personagens e a narrativa extremamente psicológica, que se mantiveram no filme. Apesar do final ter uma solução diferente dos quadrinhos, eu a considerei bastante elegante e mais alinhada com os dias de hoje. Me agradou, mas não vou comentar mais pra não estragar o fim do filme.

Talvez o grande mérito de Snyder enquanto diretor tenha sido mesmo defender o material original, sem ceder à maioria dos apelos do estúdio, principalmente em relação à violência e nudez presentes nos quadrinhos, numa tentativa clara de obter uma classificação mais branda para o filme e assim faturar mais uns trocados. O filme é extremamente fiel, até mesmo em alguns enquadramentos e diálogos, transpostos ipsis literis para as telas dos cinemas. Relativamente inexperiente em longametragens, ele peca por alguns excessos, preciosismos como a farta utilização de câmeras lentas, especialmente na sequência inicial, onde o Comediante trava uma luta contra um agressor misterioso. Um grande acerto de Snyder foi a maneira através da qual compilou décadas de um background indispensável para compreender o universo de Watchmen em uma sequência que apresenta também os créditos iniciais.

O elenco de rostos desconhecidos funciona bem. É difícil dar credibilidade a um super herói quando ele é a cara do Ben Affleck. Apesar das críticas, gosto da atuação de Patrick Wilson como o Coruja e de Jackie Earle Haley como o Rorschach e não tenho nada contra o Comediante de Jeffrey Dean Morgan.

É claro que tecnicamente o filme é muito bom. Fotografia, edição e todo o resto estão dentro do nível de excelência que se espera de uma produção hollywodiana que custou mais de US$ 130 milhões. Mas, ao menos pra mim, uma grata surpresa e, francamente, uma das melhores coisas do filme, é a trilha musical. Com uma seleção bastante abrangente de músicas que se encaixam perfeitamente nos vários momentos do filme em que são utilizadas, a música se destaca e ajuda a compor a obra e a criar o clima.

Em suma, Watchmen foi uma graphic novel que revolucionou o mundo dos quadrinhos na década de 80, dando uma sacudida nos arquétipos estabelecidos até então. A obra é tão influente, que foi considerada pela revista Time como um dos 100 romances mais importantes de todos os tempos. É claro que o filme jamais terá o mesmo impacto, mas é uma adaptação fiel que promete agradar aos fãs, desde que eles não sejam fundamentalistas muito radicais. Eu gostei, mas não sei se teria a mesma graça se eu não tivesse tido contato com a obra de Alan Moore antes, apesar de que os arquétipos com os quais Moore jogou há mais de vinte anos, são agora quase que de domínio público, se é que se pode usar essa expressão.

Outras opiniões +

Falta de bons atores prejudica desempenho de "Watchmen" (Mateus Potumati - G1)

As impressões de "Watchmen" (Blog do Bonequinho)