sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Precisamos de cinema pipoca

Estive na última semana envolvido com o Festival do Rio. Quase não assisti a nenhum filme, mas procurei participar ativamente do RioMarket, o evento paralelo que discute negócios e o mercado do audiovisual nacional e internacional. Acho de fundamental importância discutirmos o cinema brasileiro para que possamos construir um futuro melhor para ele e, por tabela, para nós, profissionais da área.

Os três primeiros dias do evento foram abertos a quem se inscrevesse com antecedência pela internet e, para minha surpresa, estavam relativamente vazios.

O primeiro dia teve como tema o financiamento do audiovisual, com destaque para a apresentação do presidente da ANCINE, Manoel Rangel. Ele descreveu com muito eloquência o panorama do mercado brasileiro atual e, principalmente, demonstrou ter visão de pra onde ir a seguir. Foi muito interessante também a apresentação do Rio Audiovisual, um ambicioso programa de revitalização e incentivo a audiovisual carioca, parceria da Secretaria de Cultura do Estado e de uma renovada RioFilme, sob o comando do competente Sérgio Sá Leitão.

O segundo dia trouxe representantes de duas das maiores produtoras nacionais, a Conspiração Filmes e a Total Entertainment, além de Paula Lavigne, uma produtora independente de peso no cenário nacional. Eles se revezaram para falar dos filmes de sucesso no Brasil nos últimos anos. O sábado ainda contou com uma mesa intermediada por Rodrigo Fonseca, em que Mariza Leão, produtora e roteirista, e René Belmonte, roteirista, falaram sobre escrever filmes de sucesso no Brasil.

O terceiro dia foi mais voltado para a televisão, com representantes da Globo e da Record discutindo como escrever o que o espectador quer ver e como produzir sucessos de audiência. Destaque para a presença de Roberto Farias, híbrido de cineasta e homem de TV, segundo palavras do próprio.

O que ficou desses primeiros dias de discussão é que, se quisermos ter uma indústria cinematográfica auto-sustentável e saudável, capaz de produzir em quantidade e qualidade e de absorver a mão de obra disponível no mercado, temos que investir em filmes que tragam retorno financeiro. É reinvestindo esses recursos no mercado que iremos transformar a realidade atual. Precisamos de filmes de sucesso. Precisamos de blockbusters.

PS.: A fotografia que ilustra o post é da galeria do Festival do Rio no Flickr. Lindas fotos. Confiram.

domingo, 23 de agosto de 2009

Séries adotivas

Outro dia conheci uma pessoa que acompanha E.R. desde a sua primeira temporada. Ela acompanha a série há 15 temporadas e disse que conhece os personagens há mais tempo do que o próprio marido, o que provavelmente é verdade se considerarmos que o seriado estreou em 1994 na TV americana.

O objetivo de um bom seriado de TV, mais do que nos filmes, eu diria, é fazer com que nos identifiquemos com os personagens. Eventualmente, ao longo das temporadas, nos afeiçoamos ao agente do FBI que acredita numa conspiração do governo para esconder a existência de alienígenas, ao amigo galanteador que nunca deixa passar uma oportunidade de cantar alguém e que vive roubando comida da geladeira dos amigos e até ao carteiro arqui-inimigo de um comediante standup.

São anos de convivência, nos envolvendo em suas existências com um nível de detalhes que não nos é reservado nem mesmo pelos nossos melhores amigos na vida real. Isso se tivermos a sorte de manter esse amigo por perto ao longo de tantos anos, o que é cada vez mais difícil nesse mundo onde as coisas acontecem e 'desacontecem' com a mesma rapidez.

O que é que fazemos quando perdemos alguém? Quando termina um relacionamento amoroso, quando um amigo se muda pra outro país? Normalmente há um período de luto e, depois de um tempo, você parte pra outra.

Confesso que fiquei arrasado quando Friends, Arquivo X e Seinfeld, principalmente, chegaram ao fim. Então decidi dar um tempo. Tive um envolvimento rápido com Heroes, Monk, CSI, Big Bang Theory e outras aqui e ali que eu prefiro nem mencionar. Nada sério, eu juro. Exceto Lost e House.

Eventualmente assisti How I Met Your Mother e conheci Ted Mosby e seus amigos. Aos poucos, deixei de sentir tanta falta de Friends. As referências aos amigos não são poucas, como o emprego misterioso do Barney (vai me dizer que vocês esqueceram a running joke sobre o trabalho do Chandler?), mas nem de longe são o que define o programa. Acabei viciado nesse seriado que consegue ser (muito) engraçado, misturar a isso um pouco de romance e drama e ainda tratar alguns temas de forma mais adulta do que aquele dos seis amigos inseparáveis.

Depois, o J. J. Abrams, que já tinha me balançado com Alias e me fisgado com Lost, acertou mais uma vez com Fringe, ocupando o espaço vazio deixado pelo Agente do FBI Fox Mulder e sua parceira, Dana Scully. Olivia Dunham, a protagonista de Fringe, está a frente de uma equipe incomum que investiga estranhos fenômenos conectados ao que parecem ser ataques terroristas. A série não só consegue parecer (um pouco) mais verossímil, como tem personagens muito interessantes e tramas intrigantes. Tem tudo pra cair no gosto dos abandonados fãs de um seriado que marcou época, mas terminou já sem o brilho das primeiras temporadas.

Por último, nem tudo na vida são flores e por isso, vou ser sincero. Lamento dizer que jamais encontrei algo à altura de Seinfeld. Acho que tem certas coisas que não tem como substituir, não é? O que nos resta é a esperança de que um dia surja um sitcom que consiga retratar a nossa sociedade de forma tão irreverente e original e nos divertir falando sobre o nada. Enquanto isso, vou aproveitando esses programas que, como séries adotivas, não julgo melhor nem pior do que aquelas que substituíram em meu coração. Eu as amo do mesmo jeito, garanto.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Muito além de televisão

Na última semana, Globo e Record levaram a disputa saudável que vêm travando pela audiência da televisão brasileira a um outro nível.

Depois que o Jornal Nacional deu destaque às acusações do Ministério Público paulista contra o Bispo Edir Macedo e a cúpula da Igreja Universal e citou a Rede Record na reportagem, essa disputa ficou franca e aberta como nunca antes. A Record reagiu através de seus telejornais, fazendo críticas diretas e acusações um tanto conspiratórias à Rede Globo.

A sua última cartada foi comprar o polêmico documentário Muito Além do Cidadão Kane. Produzido em 1993 para o Channel 4 britânico, ele acabou se tornando um filme 'cult' e foi bastante divulgado e assistido numa época em que filmes circulavam através de cópias em VHS, e não pela internet.

Segundo reportagem da Folha Ilustrada, a Record comprou os direitos do filme, através do produtor John Ellis, por meros US$ 20 mil. Apesar de não poder exibir todo o documentário por questões que envolvem direitos autorais de imagens da Globo contidas no filme, a emissora do Bispo Macedo pode exibir os trechos autorais do mesmo.

Apesar de ser contra misturar religião e comunicação, não tenho nada contra a Rede Record e acho admirável que ela venha fazendo esforços pra concorrer com a programação da Globo de igual pra igual, produzindo seriados e novelas em uma escala em que só a concorrente fazia até pouco tempo atrás.

Como em todo país democrático com liberdade de expressão e livre mercado, quando duas empresas dessa magnitude iniciam uma disputa como essa, geralmente o consumidor, nesse caso o espectador, pode tirar algo de positivo do processo, se for capaz de pensar de maneira crítica.

Sendo assim, já que a Record não pode exibir o documentário sobre Roberto Marinho na íntegra, eu o faço. Não para tomar partido, apenas para exercer o meu direito de poder fazê-lo.


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Formando Super Condutores

As últimas duas semanas foram ocupadas com um trabalho freelancer de câmera e edição para um projeto chamado Movimento Yamaha, que visa levar a adolescentes do ensino médio que estudam em escolas públicas uma peça encenada por quatro atores que chama atenção para a educação no trânsito de maneira descontraída.

O job consistia em filmar seis apresentações em escolas públicas da rede estadual e editar um clipe de aproximadamente quatro minutos, que você pode conferir a seguir.



Fiquei satisfeito com o resultado final e impressionado com a falta de estrutura na maioria das escolas que visitamos. Agora é voltar para o 'Retrato de Família' para concluir o terceiro tratamento do roteiro de longametragem.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

What are you doing?

O que você está fazendo? Agora, nesse exato momento... Navegando na internet, passando o tempo sozinho em casa, enrolando no trabalho enquanto o chefe não olha, preso no trânsito?

É essa pergunta, um tanto invasiva, que norteia o serviço mais popular da internet no momento, o Twitter. O serviço de microblogging ganhou no último ano uma popularidade incrível e teve um crescimento que, dependendo da fonte consultada, passa de astronômicos 1300%. A resposta, sincera ou não, pertinente ou não, só tem uma regra estabelecida: não pode ultrapassar os 140 caracteres. É claro que já há todo um código, uma etiqueta, digamos assim, estabelecida entre os usuários, mas isso é outra história.

O meu interesse aqui não é promover o Twitter, até porque eles certamente não estão precisando, mas sim levantar um questionamento que surgiu com força quando as primeiras redes sociais (Orkut, MySpace, Facebook) ganharam força e grande número de usuários.

É evidente que abusos e exageros sempre irão ocorrer quando a ideia é criar um perfil sobre você, incluindo os seus gostos e as pessoas com quem você se relaciona, ou responder à famigerada pergunta do Twitter, mas o fato é que, independente do quão invasivas essas ferramentas possam nos parecer, somos nós mesmos os responsáveis por alimentá-las com as nossas informações e assim, disponibilizá-las para, virtualmente (e aqui essa palavra ganha mais de um sentido), o mundo inteiro.

Pra mim, a questão não é a ferramenta. A ferramenta em discussão aqui é o Twitter, mas poderia ser uma infinidade de outras mídias, serviços ou dispositivos que mediam as relações humanas na contemporaneidade, como os telefones celulares. Pouco tempo atrás, o Google lançou o Google Latitude, um serviço que se utiliza dos dispositivos de posicionamento global (GPS) incluídos em muitos aparelhos para compartilhar com seus amigos (ou contatos), a sua localização naquele momento. Pode parecer algo mórbido, pois detestamos a noção de estar sendo vigiados o tempo todo. Mas pode ser também algo interessante, dependendo apenas da maneira como se olha para a ferramenta em questão. Se poderia servir para um cônjuge ciumento rastrear a sua amada cara metade e ter certeza de que não está sendo traído, poderia também proporcionar o encontro casual para um almoço entre dois amigos que estão próximos geograficamente por obra do acaso, mas não tem a menor noção disso.

A questão da fronteira entre o privado e o público, cada vez mais tênue, também é relativa, se pensarmos que nós, humanos, seres sociais, voluntariamente tornamos pública parte de nossas vidas privadas como maneira de nos expressar, de nos relacionarmos uns com os outros e de criar e reforçar vínculos. E isso acontece desde sempre, nem estou falando dessa ou daquela mídia. Usando desde desenhos nas paredes irregulares das cavernas a smartphones de última geração, compartilhamos experiências pessoais com o coletivo. Muitos dos nossos rituais são dedicados a esse propósito. O que seria o casamento, se não uma maneira de expressar publicamente algo que provavelmente está entre o que de mais privado pode haver, que é o amor entre duas pessoas?

Acho que qualquer um que já tenha declarado seu amor por outro publicamente, falado mais do que deveria em uma reunião de trabalho ou passado um vexame diante de um grupo de conhecidos, provavelmente entenderá quando eu digo que não acho assim tão nocivo responder àquela pergunta:

Postando uma reflexão sobre o Twitter no meu blog.

Pronto. Nem doeu.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Crítica:: O curioso caso do Curioso Caso de Benjamin Button

De fato esse filme é algo estranho. Após assistí-lo, me peguei ponderando como pode um filme ser bom e ao mesmo tempo não agradar. A premissa da história, alguém que nasce velho e rejuvenesce até morrer é original, traz um elemento fantástico, é intrigante. No entanto, quando você assiste a todos os longos 166 minutos do filme percebe que essa premissa não se mostra capaz de sustentar o belíssimo filme de David Fincher por todo esse tempo.

Fincher de fato realizou um filme estética e tecnicamente perfeito. Muita gente dizia que era um filme com cara de ganhador de Oscar. Certamente o filme fez por merecer os três Oscars que ganhou: Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Visuais. Isso sem mencionar uma outra dezena de indicações para o prêmio máximo da Academia. Destaco a fotografia do chileno Claudio Miranda, que é belíssima, um exemplo do melhor da capacidade técnica de um fotógrafo.

David Fincher faz um bom trabalho como diretor e o elenco é de primeira. Brad Pitt (indicado ao Oscar de Melhor Ator) está impecável e atua com uma naturalidade tal que você esquece que é um ator na tela. Cate Blanchett é uma grande atriz e tem uma qualidade rara no ramo: consistência. Não importa se é o drama mais profundo ou a aventura mais superficial, ela consegue sempre uma boa atuação. Taraji P. Henson, que interpreta Queenie, a mãe adotiva de Benjamin, também esteve excelente e mereceu a indicação como Atriz Coadjuvante. Se fosse um ano menos concorrido, talvez tivesse até ganho.

OK. Então o que é que falta ao filme? O que sobra em forma, falta um pouco no conteúdo. Apesar de também ter sido indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, O Curioso Caso de Benjamin Button tem um roteiro que não está a altura do restante do filme, na minha opinião. Não que o o roteiro do premiado Eric Roth (o mesmo de Forrest Gump) não seja bom. Como disse antes, a premissa, o fato que move a história, adaptada de um conto da década de 1920 de F. Scott Fitzgerald, é muito bom. Quem é que nunca se perguntou como seria ter a energia de um jovem após viver uma vida inteira, ou a sabedoria de um velho para evitar os tropeços da juventude? Mas o fato é que, ao longo de duas horas e quarenta e seis minutos de filme, são poucas as vezes em que você vê o fato de Benjamin Button estar vivendo a vida ao contrário realmente ter um impacto na trama, no desenrolar dos acontecimentos. No original, há mais conflito, mais crítica social e à natureza humana. No conto, Button nasce velho mental e fisicamente e regride em ambos os aspectos enquanto no filme há uma dicotomia entre os dois: ele é uma criança em um corpo de velho e um velho no corpo de uma criança. O filme acaba sendo então uma enorme biografia de um homem com uma peculiaridade e um grande romance entre Benjamin e Daisy, cheio de encontros e desencontros. Por último, usar a tragédia do furacão Katrina em Nova Orleans como pano de fundo para o presente da história, contada através de flashbacks, foi forçar a barra pra ganhar a simpatia do público americano (e talvez da crítica).

O Curioso Caso de Benjamin Button não deixa de ser um bom drama, mas a sensação que eu tenho é de que poderia ser muito mais.

Outras opiniões +

'O Curioso Caso': Brad Pitt em fábula para todas as idades (Tom Leão - Blog do Bonequinho)

Brad Pitt vive de trás para frente em 'O Curioso Caso de Benjamin Button' (Débora Miranda - G1)

'O Curioso Caso de Benjamin Button' vai da fantasia ao drama (Neusa Barbosa - Cineweb)

'O Curioso Caso de Benjamin Button' (Angélica Bito - Yahoo! Cinema)


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Fotografia:: Debaixo d'água

Por enquanto fui só eu. Mas em breve, quero levar minha câmera pra lá também e descobrir essa nova perspectiva na fotografia. Fui mergulhar em Arraial do Cabo no último final de semana de Março. Já tinha mergulhado algumas vezes antes com snorkel, nunca com cilindro.

Fiz um mergulho de batismo, aquele onde um instrutor te acompanha o tempo todo e cuida da maioria dos aspectos mais complexos do mergulho, como o controle da flutuabilidade e a orientação no fundo do mar, o que é bem difícil. É muito estranho estar em um ambiente onde você pode se movimentar de verdade em três dimensões. Acho que antes disso eu só tinha experimentado isso em ambientes virtuais mesmo.

O resultado é que eu adorei e em breve farei um curso de mergulho open water, que é o básico, onde se aprende a lidar com o equipamento e os procedimentos operacionais e de segurança mais elementares pra começar a mergulhar. A outra coisa que está nos planos é comprar uma caixa estanque e levar a minha Nikon D40 comigo. De preferência com o flash também. Tinha alguns mergulhadores com câmeras compactas em caixas estanque de pequeno porte e a gente trocou idéias sobre a fotografia subaquática, que eu acho simplesmente espetacular.

Alerta! Daqui pra frente o post é mais técnico. Se você não saca muito de fotografia pula pro final pra ver a outra foto.

Num fim de semana de folga, levei a câmera pra registrar a viagem e o mergulho. Então relaxei e deixei mesmo as escolhas técnicas por conta da minha câmera, no modo P (Programa) e o ISO no 800, pra poder registrar o interior do barco com mais clareza e sem precisar usar o flash ou me preocupar com a velocidade do obturador na sombra (e com menos luz, porque estava nublado).

A primeira imagem, que é de um par de instrumentos (profundímetro e nível de ar comprimido no tanque), foi tirada com a lente zoom na posição 135mm (200mm equiv.), f 5,6 e t: 1/160.

A segunda é de um cilindro de ar comprimido e foi tirada com distância focal de 70mm (105mm equiv.), f 5,6 e t: 1/500.


Quem quiser conferir mais do meu trabalho como fotógrafo basta clicar aqui e acessar meu porfolio online.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Signs



Eu cresci, como a maioria das pessoas da minha geração, assistindo a filmes. Posso dizer sem sombra de dúvida que eles fazem parte de quem eu sou. Assisti incontáveis filmes no cinema, na Sessão da Tarde, em vídeo... a maioria de Hollywood.

O cinema americano adora (e quem não adora?) histórias de amor. Especialmente se elas forem inusitadas e tiverem finais felizes, como o curtametragem logo acima. Signs não é um filme americano. É um curtametragem dirigido por um australiano, Patrick Hugues. O filme é bem bolado, começando pelo título, que na tradução significa tanto sinais quanto placas (assista e você vai entender a relevância dessa brincadeira com o duplo sentido da palavra). A direção e a fotografia são boas. Mesmo. A trilha, a direção de arte e o roteiro são ótimos e o mais importante é que no final, depois de muitas risadas e alguns suspiros, você acaba com o coração amolecido (se não ficou, por favor verifique se você ainda tem um).

Fico pensando quanto da nossa maneira de ver os relacionamentos amorosos e das nossas idéias de romance foram plantados e são mediados pelo cinema de Hollywood. Fico pensando em como a nossa subjetividade é construída pela cultura que consumimos. Fico pensando se histórias tão bacanas como essa acontecem na vida real. Fico pensando se elas também terão um happy end, como aquele de quase todos os filmes hollywoodianos. Fico pensando que não há uma janela diante da minha, só um muro de concreto.

PS.: Assisti a Signs através do Massa Cultural, um ótimo blog sobre diversidades.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pirate Bay:: Os downloads vieram pra ficar

Hoje os quatro responsáveis pelo site Pirate Bay, onde usuários trocam arquivos de todo tipo através do protocolo torrent, foram condenados a um ano de prisão cada por facilitarem a infração de direitos autorais. Eles ainda foram condenados a pagar uma multa de US$ 3,6 milhões aos estúdios de cinema e gravadoras, valor quatro vezes menor do que o pleiteado pelas empresas. Ainda cabe apelação e os advogados que representam os réus garantem que levarão o caso à suprema corte da Suécia se for preciso.

O veredicto não chegou a ser uma surpresa, uma vez que o site vem sendo investigado pelas autoridades suecas há mais de dois anos. Mesmo assim, muitos especialistas esperavam que eles fosse ser obrigados apenas a pagar uma multa e retirar a página do ar.

O fato é que a expectativa em torno desse julgamento dizia respeito a muito mais do que o Pirate Bay em si. Se esperava que, caso a decisão fosse mais favorável ao site de troca de arquivos, isso estabeleceria um novo paradigma, ou melhor, a legitimação de algo que já acontece em larga escala. Não foi o que aconteceu. Com todos os holofotes voltados para o julgamento, a pressão dos grandes conglomerados foi grande e o resultado se pode ver pelo veredicto, após dois meses de julgamento.

De qualquer forma, duvido muito que os sites que congregam torrents deixem de existir. O compartilhamento de arquivos veio para ficar e acredito que em vez de perseguir desenvolvedores e administradores de websites que não lucram com isso, a indústria do entretenimento deveria estar preocupada em encontrar um novo modelo de negócios que a possibilite continuar lucrando e existindo, sem ignorar a nova realidade onde os arquivos digitais não tem fronteiras e onde os direitos autorais terão de ser revistos. Ao menos da maneira como os entendemos hoje.

Certa vez ouvi uma palestrante, representante de uma das maiores produtoras do Brasil, afirmar que a indústria do entretenimento se baseia na compra e venda de permissões para o consumo de algo protegido pelos direitos autorais. Mas o que acontece quando esses produtos estão disponíveis em larga escala? Mais ainda... o que acontece quando estão disponíveis em larga escala, de graça e onde quer que você esteja? Não há como controlar a informação. Na era da world wide web ela é livre e se essas empresas não se reinventarem logo, estarão perdidas.

Não pensem que esse desespero da indústria é novidade. A televisão não matou o rádio. O vídeo cassete não matou o cinema. E os downloads (legais ou não) certamente não acabarão com a indústria do entretenimento.

Quero deixar claro que sendo eu mesmo um roteirista e tendo me formado em cinema, entendo perfeitamente todos os (enormes) custos envolvidos em fazer cinema, em produzir um conteúdo audiovisual. Para a produção de um longametragem, por exemplo, é necessário o trabalho de centenas de profissionais extremamente capazes, dedicados e com talentos específicos que merecem ser bem pagos para fazer o que fazem. Isso além dos custos com logística, equipamento, publicidade, etc. Acredito que é possível encontrar novas maneiras de fazer seus produtos chegarem ao consumidor. Não há como obrigar o consumidor a continuar consumindo os seus produtos da mesma maneira se a cultura, o mundo, os paradigmas mudaram. A maneira de consumir entretenimento não é mais a mesma e isso é irrefutável.

Na minha visão pessoal, a pirataria que é nociva e que deveria ser combatida com muito mais empenho, é aquela que rouba conteúdo antes mesmo que ele saia das salas de edição ou dos cinemas e as coloca em bancas do camelô, onde o objetivo não é compartilhar, e sim a obtenção de lucros que irão alimentar quadrilhas criminosas cujas atividades envolvem, além da pirataria, tráfico de drogas, de armas e outros ilícitos. Mas, voltando a questão dos downloads ilegais, como é muito difícil localizar e responsabilizar os uploaders, que disponibilizam os conteúdos no sites de torrent e que são, em última instância, aqueles que infrigem as leis de copyright as empresas foram atrás dos sites e das ferramentas (alguém aí lembra do Napster?). Acredito que, se os administradores do Pirate Bay foram corresponsabilizados pela infração de direitos autorais, então talvez os executivos das fábricas de armas de fogo devessem ser acusados como cúmplices em todos os assassinatos nos quais elas foram ferramentas indispensáveis.

PS.: A Revista Trip publicou há algum tempo, um artigo muito interessante traçando um perfil dos uploaders de conteúdo. Clique aqui para ler. Vale a pena, pra enteder melhor.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Estômago" e "Meu Nome Não é Johnny" são os maiores vencedores em noite de prêmio da ABC

Estômago, de Marcos Jorge, levou o prêmio de Melhor Longametragem de Ficção no Grande Prêmio de Cinema Vivo, organizado pela Academia Brasileira de Cinema. O filme ainda faturou a eleição para Melhor Filme segundo o voto popular.

Em noite de tapete vermelho no Rio de Janeiro, Estômago levou ainda outros três prêmios: Melhor Diretor (Marcos Jorge), Melhor Roteiro Original (Cláudia da Natividade, Fabrízio Donvito, Lusa Silvestre e Marcos Jorge) e Melhor Ator Coadjuvante (Babu Santana). O filme obteve 14 indicações no total, assim como Meu Nome Não é Johnny, do diretor Mauro Lima. Esse longa faturou seis prêmios no total: Melhor Montagem, Som, Trilha Sonora Original, Atriz Coadjuvante (Julia Lemmertz), Roteiro Adaptado (Mariza Leão e Mauro Lima) e Melhor Ator (Selton Mello).

A coprodução internacional de Fernando Meirelles, adaptação do romance de José Saramago para as telas, Ensaio Sobre a Cegueira, foi indicado a 13 troféus e venceu nas categorias mais técnicas: Melhor Direção de Arte, Melhor Direção de Fotografia (César Charlone, que curiosamente ainda concorreu com O Banheiro do Papa na mesma categoria), Melhor Efeitos Visuais e Maquiagem. Na minha opinião, o filme é realmente tecnicamente impecável.

O prêmio de Melhor Atriz foi merecidamente para Leandra Leal, por Nome Próprio, que ainda concorreu a Melhor Roteiro Adaptado.

Ao todo, mais de mil profissionais foram indicados nas 22 categorias (confira a lista com todos os premiados aqui) entre cineastas, técnicos e atores, que trabalharam nas mais de 100 produções lançadas no ano de 2008. Você pode conferir todos os indicados no site da Academia Brasileira de Cinema.

Esse tipo de iniciativa é de extrema importância para o fomento e a manutenção de uma indústria cinematográfica brasileira sólida e próspera.

Parabéns aos vencedores e parabéns à Academia Brasileira de Cinema.